Diário de uma côrte (11)
18 de outubro – no meu quarto
Acabei de chegar do culto da noite. Depois da minha conversa ao telefone com o Marcelo as coisas pareceram mais leves pra mim. Não tive vontade de chorar como uma louca no culto, nem nada e quando cheguei a igreja a primeira pessoa que veio falar comigo foi ele.
Acho que ficamos abraçados uns 10 minutos sem querermos largar um do outro.
O Marcelo tem um dos abraços mais aconchegantes que já tive em minha vida toda. Acho que poderia ficar em seu ombro para o resto da vida, me sentindo protegida e aconchegada.
Ele e eu, enquanto estávamos abraçados não dissemos nada um ao outro, tudo o que tinha que ser dito já tínhamos falado ao telefone e parece que ele entendeu que eu precisava agora era não me sentir mais sozinha.
Em seus braços eu sentia como se o mundo pudesse acabar naquele momento que eu ficaria bem, muito bem por sinal e enquanto o abraço parecia não ter fim, Joel tocou em meu ombro e me despertou daquele momento.
Olhei para meu líder sem perceber que estava na frente da igreja muito tempo abraçada ao Marcelo e que todos olhavam pra gente naquele momento.
Joel me chamou em um canto e o Marcelo ficou olhando pra ele com cara de super protetor, mas eu já confio no meu líder e fui muito tranquilamente falar com ele. O assunto era sobre o meu pai não ter permitido o gabinete e que ele sentia muito em não pode me ajudar.
Eu dei de ombros, o que poderia dizer…
Então fui assistir o culto com a certeza de que aquela situação era impossível resolver ao meus olhos mas eu cria no poder de Deus, no poder daquele que cuidou da família do Marcelo e do Edu… Eu não tinha mais porque me preocupar.
Agora estou escrevendo mais para registrar o momento do que por ansiedade ou sofrimento. Tudo passa muito rápido e eu só quero estar nos braços de Deus aconchegada como me senti quando abracei o Marcelo.
19 de outubro – Aula de geografia
Eu preciso, eu preciso de todo jeito escrever tudo o que aconteceu hoje… Nunca imaginei em minha vida que o dia 19 de outubro seria um marco da minha vida adolescente.
Ontem a noite, graças ao Marcelo, dormi como um anjo, dormi como se fosse o dia mais feliz da minha vida apesar de tantos problemas e aflições. Hoje acordei pronta para enfrentar o que fosse no colégio, mas não esperava o que vinha pela frente.
Na hora do recreio o João me chamou para lanchar com ele e queria conversar comigo. Isso me deixou um pouco apreensiva pois já estava acostumada a lanchar sozinha e ficar lendo livros até o sinal acusar o início da próxima aula.
Sentei do lado do João e abri o sanduíche que minha mãe faz toda a manhã, já que não tenho dinheiro para gastar todos os dias na cantina como os todos os meus colegas de turma. O João então, para quebrar meu silêncio começou me perguntando de que era o sanduíche e a conversa transcorria simples e direta.
Numa determinada hora ele mandou a pergunta que parecia que estava entalada em sua garganta: “Você está de rolo com aquele Marcelo?”, olhei pra ele assustada, lembrei do meu abraço ontem com meu amigo e respondi categoricamente com outra pergunta “De onde você tirou isso?”. Apesar de eu ter perguntado sonoramente eu já imaginava a resposta e logo depois que ele respondeu eu tive a confirmação.
No shopping, a Natália havia visto a gente junto e descreveu o Marcelo para o João com uma riqueza de detalhes que fez ele lembrar do meu amigo na pizzaria.
Frizar com tanto gosto a palavra amigo duas vezes na hora da apresentação me facilitou muito na hora de me explicar, afinal qual namorado aceitaria ser apresentado a um cara com o rótulo de amigo ratificado tão taxativamente?
Admito que hoje foi a primeira vez que minhas mãos não suavam e meu coração não acelerava diante do João. Estava confortavelmente conversando sem me sentir em desespero e nem com o peito parecendo explodir.
Provavelmente, o efeito da roupa fora do colégio me salientou o quanto ele parece normal com a roupa de colégio. Mesmo assim ele continua lindo… Mas não tão lindo quanto pensava.
Depois de conversarmos abertamente sobre a fofoca da Natália, percebi que ela olhava de longe tudo o que acontecia, mas estava tão tranquila com João que nem esquentei pra isso.
Depois o papo virou para o assunto côrte. João queria saber que papo era aquele e usei o exemplo da banda Jonas Brothers como referência para não parecer uma coisa tão anormal aos olhos dele. O que ele não imagina é que os Jonas podem namorar e eu não, mas deixei isso no ar e ele não pareceu se interessar tanto por isso.
Do nada, então, enquanto falava disparada contando tudo o que sabia sobre a côrte, o João segurou meu queixo com um dos seus dedos, olhou dentro dos meus olhos e aproximou seus lábios tocando os meus. Seus lábios eram doces, ele estava com uma Halls verde na boca o que refrescava o toque. Ele movia seus lábios com rapidez, parecendo que iria sugar todo o meu ar e hálito de uma vez só… O que no início parecia delicadeza, virou brutalidade… E senti sua língua se movimentar verozmente em minha boca…
Apesar do sabor maravilhoso que sentia e saber que este era meu primeiro beijo, um beijo roubado pelo garoto que mais gostava no colégio, fiquei tão apreensiva por não saber o que fazer que fiquei estática.
No final ele olhou pra mim e perguntou assustado se eu não havia gostado. Com as bochechas mais rosadas do mundo respondi que não sabia pois esse era o meu primeiro beijo. Ele nesta hora abriu um sorriso que iluminou meu mundo! Eu agora estava namorando o cara mais lindo do colégio… Só que ninguém da minha família poderia saber disso, mas meus amigos sim…
Quando sair do colégio vou ligar para a Cris, ela precisa saber disso…
Tags: adolescente, batismo, batizada, côrte, cristão, cristianismo, diário, história, livro, relacionamento
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janeiro 26, 2010 às 4:08 pm
Ah que susto!
Pensei que não ia ter nunca mais posts!
kkkk
Muito bom, parabéns!
janeiro 28, 2010 às 3:56 pm
Voltaremos a ter posts diários?
fevereiro 18, 2010 às 4:56 am
nossa, faz tempo que vc não posta…
eu estou muito louca para saber o resto da historia…
dá noticias…
fevereiro 18, 2010 às 4:57 am
e aí?vc volta a postar quando?