17 de outubro – pizzaria
Ai meu Deus, ai meu Jesus Cristo… O João acabou de me ligar dizendo que se atrasou um pouco mas que já está vindo ao nosso encontro. O Marcelo, a Cris e o Edu estão me olhando com cara de quem pensa que estou ficando maluca ou algo do tipo. Afinal, eles nunca me viram tão histérica assim e eu só comecei a escrever tem 3 dias, nunca imaginavam que em meu ataque de ansiedade eu fosse pegar o caderno, diário (tenho que me acostumar com essa palavra), e começar a escrever como uma alucinada qualquer.
Mas o que eu poderia fazer? Já estava pensando que ia levar um bolo do João hoje. Ele tinha me dito que viria na hora mas já tinham passado mais de uma hora do combinado e nem uma ligação eu tinha recebido. Admito que o Marcelo estava agindo como um verdadeiro amigo me consolando enquanto a Cris estava absorta nos olhos do Edu nem imaginando o quanto eu estava desesperada.
Aí do nada, quando já estava desfocando do lance do João com as piadinhas sem graça que o Marcelo fazia só para me fazer rir, o celular tocou… E era ele… Falando com aquela voz grave que faz meu braço se arrepiar só de ouvir. Minha pele tremia e acho até que gaguejei um pouco… Como pode ele ter todo esse efeito em mim?
O João com muita delicadeza explicou que estava como babá do irmão a tarde e que sua mãe demorou mais do que esperado para chegar em casa. Agora que ela havia chegado ele estava começando a se arrumar e vir aqui para distrair um pouco a cabeça.
Meu coração explodiu, ele queria se distrair comigo…
Ai meu Deus, tenho que ir correndo ao banheiro para me ajeitar… Acho que o vestido amarrotou um pouco depois de tanto tempo sentada no culto jovem da igreja, mas eu tenho, tenho que estar impecável na hora que ele chegar.
É melhor eu correr…
17 de outubro – no carro do Joel
Se minha letra ficar estranha é porque estou escrevendo direto do carro do meu líder Joel, já que as coisas fugiram totalmente do meu controle.
O João, como previsto, chegou na pizzaria, lindo como só ele consegue estar. Vestia uma camisa preta de manga curta que o deixava elegantérrimo e uma calça branca de corte reto. Calçava um sapato mocassim e pela primeira vez eu percebi que o uniforme e o tênis do colégio não realçavam tão bem sua beleza.
Acho que cheguei a perder o fôlego perto dele quando chegou para me cumprimentar. Fora o detalhe que a cara dele já demonstrava a sua percepção pela minha falta completa de oxigenação no meu cérebro.
Mas ok… Até aí sem problemas já que percebi, também, em seu rosto o espanto e o encanto em me ver tão bonita e arrumada. Pela cara que ele fez, se surpreendeu como posso ficar bonita fora do colégio.
Antes de me sentar, para todos não pensarem que estava aprontando uma, fui apresentando um por um da juventude para ele.
Comecei pelos mais íntimos. Cristina, Marcelo e Edu. Claro que na hora de apresentar o Marcelo, fiz questão de ratificar 2 vezes a palavra amigo, já prevendo a fofoca da Natália na segunda, depois meu líder para mostrar o respeito e em seguida os outros jovens ao nosso redor. Todos apreensivos em ver um rapaz e eu arrumada, mas nem por isso deixaram de receber muito bem o João. Com exceção do Edu, Marcelo e do próprio Joel.
No caso do Marcelo e do seu irmão, a cara deles mostrava desespero, acho que eles previram ou, no mínimo, tiveram visões do que estava por vir. Já o Joel a cara de espanto e desconforto era muito maior, afinal ele estava ali como um pedido do meu pai e, mais certa do que nunca, acho que a intenção era me vigiar bem de perto.
O que não poderia contar é que depois de um tempo que eu e o João estávamos conversando, ele falou em alto e bom som que queria ficar comigo.
Tudo bem que a maioria das meninas do colégio vibrariam se estivessem em meu lugar. Afinal o cara que eu estava totalmente encantada acabara de demonstrar que queria ficar comigo, me tocar, me beijar e todas as coisas que estavam embutidas nisso.
Realmente eu não sei o que mais, mas imagino que ficar deve demandar mais que só beijos, ou não? Mas meu total desconhecimento e inabilidade com rapazes mostrava que eu ainda teria muito que aprender.
Em vez de vibrar, fiquei branca, mas tão branca, que parecia que tinham retirado todo o sangue do meu corpo e transportado para um dos copos de coca-cola que estavam nas mesas ao nosso redor. O pior nem foi isso, foi ver que o Joel ouviu o pedido.
Aí restaram apenas alguns minutos para que tudo viesse abaixo.
Primeiro eu fiquei branca e congelada, depois o Joel se aproximou da gente com o olhar fulminando o João, perguntando direta e claramente se ele sabia do método de côrte que eu e todos os jovens da igreja tínhamos nos comprometido.
Pronto, o caldo entornou – pensei.
O Marcelo, imagino com dó de mim, chamou o Joel no canto para falar com ele, e só vi meu líder falando que tudo o que ele precisava poderia esperar uns momentos já que ele estava resolvendo algo muito sério.
A cara do João nessa hora dava pena. Ele estava apavorado sem entender o que estava acontecendo. Aquela cara, tipo em seriado de detetive, que fazem quando estão sendo interrogado e nem sabem o que fizeram para estar ali. Acho que já vi essa cara várias vezes no Cold Case, mas isso não importa.
Pela cara dele o Joel já entendeu tudo, que eu sequer tinha comentado da côrte no meu colégio, então ele parou tudo e falou que era para o João se despedir de mim, que já estava na minha hora de ir para cara e que meu pai mataria ele se eu chegasse mais tarde.
O João, que pelo jeito sabe se defender muito bem, não deixou barato, falou que merecia uma explicação para aquilo tudo. O Joel com muita impaciência explicou, então, que para ele ficar comigo, seria somente com a presença de um adulto; sem beijos, sem carícias e com o compromisso de casar comigo…
Nessa hora foi o próprio João que falou que tinha que ir embora. O garoto entrou em choque quando viu meu líder falar que o simples fato de ele querer ficar comigo já era motivo para pensar em casamento.
Ele se despediu de mim, disse para eu não me preocupar que na escola a gente conversava e saiu com uma rapidez incrível.
Foi aí que o Joel começou a me passar uma bronca daquelas. Disse que eu destrocei toda a confiança que ele depositava em mim, que eu deveria ser disciplinada… Até aí tudo normal, até que veio a bomba. Ele falou que terá que contar tudo isso para o meu pai.
Nessa hora meus olhos se encheram de lágrimas… Marcelo, solidário como sempre pegou em minha mão. Eu caí de joelhos no meio da pizzaria e todos os jovens e as pessoas que estavam lá olhavam pra mim com cara, ou de julgamento, ou de pena.
Comecei a chorar compulsivamente, nada mais tinha sentido. Eu não tinha feito nada, eu nem tinha tido tempo de responder negativamente ao pedido do João, então porque eu tinha que passar por aquilo?
Meu pai, que já não confia em mim, é capaz até de me mudar de colégio, me internar num exército ou algo do tipo…
Minha cabeça estava girando como louca.
O Joel entrou em pânico, imagino que ele não esperava essa minha reação quando falou aquilo. Acho que ele sentiu pena de mim, mas pode ser impressão minha… Sei lá.
Nessa hora ele falou a todos os jovens que fossem pra casa, tirou as mãos do Marcelo de mim, chamou a Cris e decidiu nos levar em seu carro.
E eu estou aqui, escrevendo como louca, chorando como uma maluca e a Cris segurando minha perna dizendo que tudo ficará bem e dizendo que Deus sabe da intenção do meu coração e que não ia deixar nada de mal acontecer.
O problema que ela nem imagina, e é por isso que não consigo olhar para ela agora. É que me sinto como se Deus estivesse me punindo de alguma forma por desejar, em meu coração, aceitar o pedido dele.
Meu pai sempre disse que Deus é onisciente e sabe as intenções do nosso coração. Como ele e Deus tem uma ligação muito forte imagino que meu pai em uma de suas orações deve ter pedido que qualquer pensamento errado de minha parte, que Deus me castigasse.
Eu mereço esse castigo? Porque Deus? Porque eu não posso ser uma menina comum? Porque eu terei que passar por tudo isso só por causa de sentir que eu queria ficar com ele?
Chegamos… Ora de enfrentar isso tudo com meu pai.
“Orai sem cessar”!
17 de outubro – pizzaria
Ai meu Deus, ai meu Jesus Cristo… O João acabou de me ligar dizendo que se atrasou um pouco mas que já está vindo ao nosso encontro. O Marcelo, a Cris e o Edu estão me olhando com cara de quem pensa que estou ficando maluca ou algo do tipo. Afinal, eles nunca me viram tão histérica assim e eu só comecei a escrever tem 3 dias, nunca imaginavam que em meu ataque de ansiedade eu fosse pegar o caderno, diário (tenho que me acostumar com essa palavra), e começar a escrever como uma alucinada qualquer.
Mas o que eu poderia fazer? Já estava pensando que ia levar um bolo do João hoje. Ele tinha me dito que viria na hora mas já tinham passado mais de uma hora do combinado e nem uma ligação eu tinha recebido. Admito que o Marcelo estava agindo como um verdadeiro amigo me consolando enquanto a Cris estava absorta nos olhos do Edu nem imaginando o quanto eu estava desesperada.
Aí do nada, quando já estava desfocando do lance do João com as piadinhas sem graça que o Marcelo fazia só para me fazer rir, o celular tocou… E era ele… Falando com aquela voz grave que faz meu braço se arrepiar só de ouvir. Minha pele tremia e acho até que gaguejei um pouco… Como pode ele ter todo esse efeito em mim?
O João com muita delicadeza explicou que estava como babá do irmão a tarde e que sua mãe demorou mais do que esperado para chegar em casa. Agora que ela havia chegado ele estava começando a se arrumar e vir aqui para distrair um pouco a cabeça.
Meu coração explodiu, ele queria se distrair comigo…
Ai meu Deus, tenho que ir correndo ao banheiro para me ajeitar… Acho que o vestido amarrotou um pouco depois de tanto tempo sentada no culto jovem da igreja, mas eu tenho, tenho que estar impecável na hora que ele chegar.
É melhor eu correr…
17 de outubro – no carro do Joel
Se minha letra ficar estranha é porque estou escrevendo direto do carro do meu líder Joel, já que as coisas fugiram totalmente do meu controle.
O João, como previsto, chegou na pizzaria, lindo como só ele consegue estar. Vestia uma camisa preta de manga curta que o deixava elegantérrimo e uma calça branca de corte reto. Calçava um sapato mocassim e pela primeira vez eu percebi que o uniforme e o tênis do colégio não realçavam tão bem sua beleza.
Acho que cheguei a perder o fôlego perto dele quando chegou para me cumprimentar. Fora o detalhe que a cara dele já demonstrava a sua percepção pela minha falta completa de oxigenação no meu cérebro.
Mas ok… Até aí sem problemas já que percebi, também, em seu rosto o espanto e o encanto em me ver tão bonita e arrumada. Pela cara que ele fez, se surpreendeu como posso ficar bonita fora do colégio.
Antes de me sentar, para todos não pensarem que estava aprontando uma, fui apresentando um por um da juventude para ele.
Comecei pelos mais íntimos. Cristina, Marcelo e Edu. Claro que na hora de apresentar o Marcelo, fiz questão de ratificar 2 vezes a palavra amigo, já prevendo a fofoca da Natália na segunda, depois meu líder para mostrar o respeito e em seguida os outros jovens ao nosso redor. Todos apreensivos em ver um rapaz e eu arrumada, mas nem por isso deixaram de receber muito bem o João. Com exceção do Edu, Marcelo e do próprio Joel.
No caso do Marcelo e do seu irmão, a cara deles mostrava desespero, acho que eles previram ou, no mínimo, tiveram visões do que estava por vir. Já o Joel a cara de espanto e desconforto era muito maior, afinal ele estava ali como um pedido do meu pai e, mais certa do que nunca, acho que a intenção era me vigiar bem de perto.
O que não poderia contar é que depois de um tempo que eu e o João estávamos conversando, ele falou em alto e bom som que queria ficar comigo.
Tudo bem que a maioria das meninas do colégio vibrariam se estivessem em meu lugar. Afinal o cara que eu estava totalmente encantada acabara de demonstrar que queria ficar comigo, me tocar, me beijar e todas as coisas que estavam embutidas nisso.
Realmente eu não sei o que mais, mas imagino que ficar deve demandar mais que só beijos, ou não? Mas meu total desconhecimento e inabilidade com rapazes mostrava que eu ainda teria muito que aprender.
Em vez de vibrar, fiquei branca, mas tão branca, que parecia que tinham retirado todo o sangue do meu corpo e transportado para um dos copos de coca-cola que estavam nas mesas ao nosso redor. O pior nem foi isso, foi ver que o Joel ouviu o pedido.
Aí restaram apenas alguns minutos para que tudo viesse abaixo.
Primeiro eu fiquei branca e congelada, depois o Joel se aproximou da gente com o olhar fulminando o João, perguntando direta e claramente se ele sabia do método de côrte que eu e todos os jovens da igreja tínhamos nos comprometido.
Pronto, o caldo entornou – pensei.
O Marcelo, imagino com dó de mim, chamou o Joel no canto para falar com ele, e só vi meu líder falando que tudo o que ele precisava poderia esperar uns momentos já que ele estava resolvendo algo muito sério.
A cara do João nessa hora dava pena. Ele estava apavorado sem entender o que estava acontecendo. Aquela cara, tipo em seriado de detetive, que fazem quando estão sendo interrogado e nem sabem o que fizeram para estar ali. Acho que já vi essa cara várias vezes no Cold Case, mas isso não importa.
Pela cara dele o Joel já entendeu tudo, que eu sequer tinha comentado da côrte no meu colégio, então ele parou tudo e falou que era para o João se despedir de mim, que já estava na minha hora de ir para cara e que meu pai mataria ele se eu chegasse mais tarde.
O João, que pelo jeito sabe se defender muito bem, não deixou barato, falou que merecia uma explicação para aquilo tudo. O Joel com muita impaciência explicou, então, que para ele ficar comigo, seria somente com a presença de um adulto; sem beijos, sem carícias e com o compromisso de casar comigo…
Nessa hora foi o próprio João que falou que tinha que ir embora. O garoto entrou em choque quando viu meu líder falar que o simples fato de ele querer ficar comigo já era motivo para pensar em casamento.
Ele se despediu de mim, disse para eu não me preocupar que na escola a gente conversava e saiu com uma rapidez incrível.
Foi aí que o Joel começou a me passar uma bronca daquelas. Disse que eu destrocei toda a confiança que ele depositava em mim, que eu deveria ser disciplinada… Até aí tudo normal, até que veio a bomba. Ele falou que terá que contar tudo isso para o meu pai.
Nessa hora meus olhos se encheram de lágrimas… Marcelo, solidário como sempre pegou em minha mão. Eu caí de joelhos no meio da pizzaria e todos os jovens e as pessoas que estavam lá olhavam pra mim com cara, ou de julgamento, ou de pena.
Comecei a chorar compulsivamente, nada mais tinha sentido. Eu não tinha feito nada, eu nem tinha tido tempo de responder negativamente ao pedido do João, então porque eu tinha que passar por aquilo?
Meu pai, que já não confia em mim, é capaz até de me mudar de colégio, me internar num exército ou algo do tipo…
Minha cabeça estava girando como louca.
O Joel entrou em pânico, imagino que ele não esperava essa minha reação quando falou aquilo. Acho que ele sentiu pena de mim, mas pode ser impressão minha… Sei lá.
Nessa hora ele falou a todos os jovens que fossem pra casa, tirou as mãos do Marcelo de mim, chamou a Cris e decidiu nos levar em seu carro.
E eu estou aqui, escrevendo como louca, chorando como uma maluca e a Cris segurando minha perna dizendo que tudo ficará bem e dizendo que Deus sabe da intenção do meu coração e que não ia deixar nada de mal acontecer.
O problema que ela nem imagina, e é por isso que não consigo olhar para ela agora. É que me sinto como se Deus estivesse me punindo de alguma forma por desejar, em meu coração, aceitar o pedido dele.
Meu pai sempre disse que Deus é onisciente e sabe as intenções do nosso coração. Como ele e Deus tem uma ligação muito forte imagino que meu pai em uma de suas orações deve ter pedido que qualquer pensamento errado de minha parte, que Deus me castigasse.
Eu mereço esse castigo? Porque Deus? Porque eu não posso ser uma menina comum? Porque eu terei que passar por tudo isso só por causa de sentir que eu queria ficar com ele?
Chegamos… Ora de enfrentar isso tudo com meu pai.
“Orai sem cessar”!